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Tigres não acumulam a poeira dos séculos; Tigres reinventam a vida todos os dias

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Caes de Busca e Salvamento

Série 'Meus Trabalhadores' I_ Habilidades especiais dos cães de busca e salvamento_  Eles são utilizados ao redor do mundo para encontrar pessoas perdidas. Estes animais extremamente inteligentes usam sua habilidade para encontrar excursionistas e alpinistas; crianças perdidas em locais desertos, parques ou escondidas em matagais ao redor de casas; pessoas idosas e/ou pacientes com mal de Alzheimer que saí­ram de suas casas ou hospitais; vitimas de enchentes, avalanches, terremotos, explosões e/ou bombas, incêndios, queda de avião, tornados e outros desastres naturais ou de responsabilidade humana; evidência de crime e corpos de ví­timas de homicídio.
O que faz cães rastreadores tão úteis e hábeis?_Enquanto seres humanos têm aproximadamente cinco milhões de células nasais sensí­veis a odores, um cão pode ter até 220 milhões. Acrescente o senso deles de visão e audição canino e teremos animais com alta percepção do mundo ao seu redor. Resutado:
facilmente identificam suor, odor de sangue, adrenalina, etc.
Com suas quatro patas, cães são muito rápidos. Qualquer dono de cão pode testemunhar que cães são capazes de percorrer distâncias muito mais rápido do que os humanos.
Cães rastreadores são treinados para seguir cheiros transportados pelo ar ao invés de essências no chão. Com o vento certo, um cão de resgate pode farejar seu alvo a uma milha de distância.
Como trabalham cães de busca e salvamento?_ Seres humanos, mortos ou vivos, constantemente emanam partí­culas microscópicas que carregam seu cheiro. Milhares dessas partí­culas são transportadas pelo ar e o vento as carrega por longas distâncias. Cães farejadores de busca e salvamento são treinados para localizar o cheiro de qualquer ser humano em uma área limitada, mesmo sendo extremamente populosa.
Eles podem trabalhar a qualquer hora do dia ou noite, em quase todos os tipos de clima e se destacam onde humanos são limitados: no escuro, em florestas densas, em escombros ou dentro dá água.
Quais são os melhores rastreadores?_ Border Collies, Labradores, Pastores Alemães e mestiços são comumente utilizados para busca e salvamento - principalmente devido a seu vigor e energia. Para trabalhar nesta área, um cão deve ser obediente, muito sociável e amigável.
Treinando com os bombeiros_ O emprego de cães no auxílio aos trabalhos de resgate de vítimas de soterramento já é prática comum em países como Japão, Estados Unidos e nações européias. No México, por exemplo, foi de grande eficácia na retirada de vítimas sob os escombros do terremoto ocorrido na década de 80. Os animais foram imprescindíveis no salvamento de muitas vidas naquela ocasião.
Hoje, para detectar se há alguém com vida sob um desmoronamento de terra ou sob um amontoado de concreto, os bombeiros brasileiros dispõem de recursos como ouvir eventuais ruídos, naturalmente, ou tentar falar com os sobreviventes, além dos equipamentos denominados de localizadores de vítimas. São sensores acústicos que mapeiam a área e são capazes de identificar ruídos (gemidos, fala e até batimentos cardíacos). Existem dois tipos de localizadores, um de origem israelense e outro alemão. Este último tem a vantagem de permitir a comunicação chamada duplex, ou seja, além de localizar a vítima, possibilita que ela se comunique por meio de um microfone e um receptor de áudio acoplado ao aparelho, que é guiado até o mais próximo possível da pessoa e muitas vezes orienta a melhor forma de procedimento em seu salvamento.
Com o emprego dos cães, esse trabalho foi aprimorado, devido ao seu olfato e audição superiores, como já foi citado. Estes atributos vem sido notados desde a Segunda Grande Guerra,  quando o exército alemão usou cães para a vigilância de bases nazistas. Eles alertavam os sentinelas sobre qualquer aproximação de tropas inimigas.
Brasil_ O Ecos (Emprego de Cães em Operações de Salvamento), conta com viatura especial para os cães.“É impressionante a disposição dos cães para o trabalho. Basta encostarmos a viatura em frente do canil aberto que eles ficam eufóricos. Logo pulam para o seu interior e esperam a partida do veículo”, complementa o cabo Lauro Francisco Silva, oficial responsável pelo canil do 1º Grupamento de Bombeiros de São Paulo, localizado no bairro do Ipiranga, SP, onde existe o  Ecos .“O canil nos apóia em ocorrências de salvamento de diversas naturezas, principalmente quando não temos possibilidade de visualizar a vítima e todos os recursos já foram esgotados. Além da indicação de locais em que haja vítimas soterradas, os nossos cães são treinados para atuar em casos de ocultação de cadáver e em outros crimes.”
Para se ter noção da importância deste trabalho só em São Paulo ocorrem em média, cerca de mil soterramentos, sendo 300 casos na capital paulista. A maioria dos acidentes se refere a desabamentos na área da construção civil. Desde deslizes por infiltrações em período de chuva e por acomodações de solo, até desmoronamento em grandes edificações, por problemas nas estruturas ou no planejamento da obra.
Esperto, curioso e brincalhão, o Labrador é o cão ideal_ A unidade Ipiranga conta atualmente com nove exemplares de Labrador. Destes, cinco estão totalmente preparados e o restante, em fase de adaptação. “É preciso lembrar que não é qualquer Labrador que está apto a fazer parte da corporação. O exemplar tem de apresentar características específicas, como iniciativa e coragem, por exemplo”, acrescenta cabo Lauro, enfatizando que a raça é conhecida por ser brincalhona, o que facilita muito o treinamento. “Nossa base de adestramento é a recompensa e essa ação se dá por meio de brincadeiras. Logo que os filhotes nascem, escolhemos os que se mostram mais espertos e curiosos. Após 60 dias, damos início aos treinamentos.”
As ninhadas podem ser de doações ou do Canil Central do Corpo de Bombeiros de São Paulo, localizado na Serra da Cantareira, zona norte da capital paulista. Segundo o cabo Lauro, metade do efetivo vem de doações e o restante, do canil.
As fêmeas dominam o canil da corporação!_Isso porque, comprovadamente, tem maior poder de concentração, responsabilidade e não têm o instinto de demarcar territórios, como os machos, que facilmente se dispersam com esse intuito ou em razão de ficar atraídos por cadelas no cio.
“O exemplar macho não é inferior, mas os resultados obtidos com as fêmeas são melhores. Se em um local de ocorrência tiver uma cadela no cio e estivermos operando com cães machos, o trabalho certamente será comprometido. As fêmeas, por exemplo, só param para urinar quando realmente estão com vontade, diferentemente dos machos, que urinam pelo simples fato de outro cão ter urinado ali também”, complementa o cabo Lauro.
O treinamento é árduo, porém prazeroso_ O treinamento básico, assim como a catalogação e o atendimento veterinário, é efetuado no Canil Central da PM, onde o cão aprende a utilizar o faro para a detecção de explosivos e drogas. Contudo, é no batalhão que ele recebe os comandos para atuar em uma ocorrência de resgate de vítimas em escombros.
É um erro imaginar que os cães passam por exercícios rígidos e dolorosos. “Para os cães, o treinamento não passa de uma atividade lúdica, em que ele procura um brinquedo e espera pelo reconhecimento do comandante, por meio de um simples agrado. Assim, os cães são motivados a utilizar o seu instinto natural de faro, sempre por intermédio de associações. É importante ressaltar que, quanto menor a dependência do animal com seu condutor, melhores serão os resultados”, informa o cabo Lauro.
O treinamento, desde o processo seletivo, dura em média um ano e meio e passa por três estágios. No primeiro, o cão é associado ao brinquedo e em seguida o odor é associado ao brinquedo. No segundo estágio, o cão passa a procurar o odor em vez do brinquedo e, por último, o odor é associado à recompensa.
O brinquedo em questão trata-se de um objeto específico para esse tipo de adestramento, produzido com material resistente e formato especial para passagem de ar e espaço para acondicionar aromas. Para que reconheça odores comuns ao ser humano, são treinados com substâncias que as pessoas liberam durante uma ocorrência, como suor e adrenalina.
No Canil do Corpo de Bombeiros do Ipiranga, três equipes se revezam no treinamento. “Os exercícios são contínuos. Simulamos terrenos idênticos a cenários de escombros e desabamentos para torná-los aptos a desempenhar suas funções também com barulho intenso, poeira, lama, buracos, fendas, água, enfim, todas as situações possíveis são testadas”, complementa cabo Lauro.
Ampliando as possibilidades_ De acordo com o oficial, o cão ainda não é utilizado em ocorrências de incêndio, deviso às altas temperaturas. Mas é empregado na busca de vítimas após o rescaldo. “O nosso canil é relativamente recente e os nossos cães foram treinados inicialmente para escombros e soterramentos, acidentes comuns em casos de incêndio.”
Segundo ele, a corporação está se estruturando também para efetuar o treinamento dos cães para casos de afogamento e esclarecimento de possíveis causas de incêndios. “Não temos ainda no País cães preparados para essas ocorrências”, lamenta.
A maior vantagem da utilização deles é a resposta ágil que eles oferecem: “Em qualquer abalo de estrutura, como desabamentos, notamos que a vítima muitas vezes está por perto, todavia, longe do campo de visão do bombeiro. O faro do cão, até por se tratar do sentido que garante a sua sobrevivência, é capaz de localizá-la rapidamente, superando os aparelhos que utilizamos. Por isso acreditamos que eles (os cães) podem ser extremamente úteis também em outras ocorrências”.
O papel dos cães no resgate às vítimas do atentado ao World Trade Center_ Pesquisar sobre isto foi emocionate_ Em um posto médico iluminado por holofotes, quatro médicos preparam um dos trabalhadores de emergência para o longo dia que terão pela frente. Envolvem suas pernas em fitas adesivas e encaixam botas novas. Oferecem-lhe comida, verificam seus olhos, porque a fumaça e a poeira podem embaçá-los e queimá-los nas próximas horas. Mas, principalmente, beijam seu focinho, esfregam sua barriga e dizem coisas como “Bom trabalho, Porkchop”.
Por uma semana, Porkchop, um Australian Shepherd de 1 ano de idade, tem feito buscas no ferro retorcido do World Trade Center, em NY. No seu tempo livre, come formigas e assiste ao canal TV Animal Planet. Nos últimos dias, buscou por sinais de vida ou morte em meio às ruínas. Ele não encontrou sobreviventes, porém descobriu tantos restos humanos que seu tratador, Erick Robertson, disse que perdeu a conta, no que acredita ter sido o maior destacamento de cães da história, aproximadamente 350 cães especializados estiveram no World Trade Center.“A nossa missão principal é tirar as pessoas dali”, informou na ocasião Michael Kidd, um membro do Corpo de Bombeiros de Miami. Seu pastor alemão Mizu já esteve em missões até mesmo na Turquia. “O que mais importa aqui é dar às pessoas a certeza de que tudo acabou.”
Até pessoas que gostam mais de gatos admiram o trabalho dos cães heróis. Com nomes como Dutch, Tuff, Bigfoot, Sally, Max e Cowboy, eles trabalharam em turnos de 12 horas, cavando túneis e penetrando destroços instáveis para caçar o menor resquício de vivos ou mortos. “Se vão ser achadas pessoas vivas, serão os cães a encontrá-las”, afirmou Barry Kellog, que gerenciou a equipe de Assistência Médica Veterinária, setor do serviço público de saúde dos Estados Unidos responsável pelos animais que atuam em desastres.
Esses cães têm anos de treinamento e precisam ser impassíveis diante de pessoas gritando e de equipamentos de escavação, além de se apresentarem fisicamente capazes de se mover através de pequenos espaços e até mesmo de subir em escadas de bombeiros.
Apesar de muitos cães policiais terem visitado o local, os cães de resgate tendem a ter um treinamento mais intensivo. Esses animais precisam aprender truques que são opostos a seus instintos. Quando um cão corre, ele enterra suas unhas no chão. Quando uma superfície se move, o cão tende a saltar. Para tanto, eles aprendem a caminhar com as patas abertas, para não mover o chão abaixo deles. Por isso, muitos deles que trabalharam nos escombros do World Trade Center não utilizaram as botas especiais disponibilizadas.
Segundo Shirley Hammond, uma especialista em cães de resgate de 67 anos, de Palo Alto, na Califórnia, os cães passam por treinamentos específicos para situações de recuperação e resgate. “Eles aprendem a rastejar, baixando seu centro de gravidade, quando os destroços se movem abaixo deles.” Mas como se ensina um cão a achar restos humanos? Através de produtos macabros, como os “corpos falsos”, que imitam o cheiro de carne decomposta. Outros treinadores usam corpos e placentas doados pela ciência. Com um olfato várias vezes mais apurado que nós, eles podem sentir cheiros através do concreto dos destroços.
No World Trade Center, os cães trabalharam em times e setores diferentes dos escombros. Engenheiros estruturais investigavam as áreas para determinar se era seguro explorá-las. Especialistas em materiais perigosos, conhecidos como “hazmat”, procuravam por restos de combustível de avião, diesel freon e toner, para mencionar alguns. Só depois vieram os cães. Quando encontravam algo, alguns latiam, outros deitavam, e então especialistas verificavam o queele tinha encontrado.
Atendimento veterinário no local do desastre_ Para cuidar dos cortes, dos danos em razão da exposição a produtos químicos e da desidratação, o serviço público de saúde nova-iorquino enviou o Serviço de Assistência Médica Veterinária, ou VMAT. Para evitar que os cães fiquem tristes depois de um dia de trabalho sem resultados, alguns tratadores se escondem e deixam que os cães os encontrem.
Homens, mulheres e médicos veterinários voluntários formaram uma equipe que se instalou no meio da West Street, algumas quadras ao norte do World Trade Center. Em meio aos medicamentos havia protetores para patas e diversos brinquedos, ossos e biscoitos, quase o suficiente para suprir um pet shop.  Um veterinário acariciou a cabeça de um cão e disse: “Que cães maravilhosos”.
Infelizmente pouquíssimos sobreviventes foram encontrados, mas os que foram devem os méritos aos cães. Assim como muitas famílias tiveram partes de seus parentes para dedicar-lhes um funeral digno. Essa é mais uma prova de que o cão é realmente o melhor amigo do homem, esteja ele vivo ou morto, e que todo o tipo de maustratos a esses anjos de Deus na face da terra, devem ser repudiados e imediatamente denunciados.

Fonte: Revista Incêndio #34, adaptação Marcia Korrea.
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