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Tigres não acumulam a poeira dos séculos; Tigres reinventam a vida todos os dias

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Série Divergente: InsuRgente




Lançamento 19 de março de 2015 (1h59min) 
Dirigido por Robert Schwentke
Com Shailene Woodley, Theo James, Octavia Spencer mais
Gênero Ficção científica , Ação
Nacionalidade EUA
Não recomendado para menores de 14 anos 
Sinopse_ 
Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) agora são fugitivos e procurados por Jeanine Matthews (Kate Winslet), líder da Erudição. Em busca de respostas e assombrados por prévias escolhas, o casal enfrentará inimagináveis desafios enquanto tentam descobrir a verdade sobre o mundo em que vivem.
Crítica_ Para quem não assistiu a Divergente (2014), esta sequência se inicia de modo didático e veloz, explicando que estamos em um cenário futurista, dividido em facções. Se você se enquadra em mais de um grupo, é considerado um divergente, e precisa ser eliminado por representar um perigo ao sistema. Ponto. O começo pode ser explicativo, mas tem o mérito de deixar para trás a longa contextualização do filme original, a fim de partir para algo mais importante: o combate de Tris (Shailene Woodley), símbolo da revolução, contra Jeanine (Kate Winslet), símbolo da tradição. Há menos personagens coadjuvantes, menos subtramas: o roteiro pressupõe que você já conhece o essencial, o que é uma vantagem desta segunda história.
O que interessa ao diretor Robert Schwentke é transformar esta franquia em uma saga clássica de ação e ficção científica. Tris torna-se a clássica heroína de ação, passando por todos os clichês do “escolhido” -  descoberta de si, dúvida, aceitação dos poderes, percepção de sua responsabilidade social, combinação da força física com a pureza de sentimentos... No plano físico, corta o cabelo curto, como nos filmes de guerra, maneja armas de fogo como qualquer homem ao seu redor e supera testes dificílimos de realidade virtual, como Neo em Matrix (talvez a maior referência de Insurgente). As cenas de luta, como o momento dentro do trem, são impressionantes e essenciais para descrever a força física e mental da personagem. Tris assemelha-se a uma super-heroína - e os testes, nada mais fazem do que comprovar seus superpoderes
Shailene Woodley continua sendo a principal responsável por tornar esta história crível e empolgante. A jovem atriz constrói uma evolução notável da personagem, transitando gradualmente entre a indignação e a ação, o amor e o ódio. Sem a sutileza de suas expressões, cenas como a de Tris enfrentando a si mesma poderiam parecer um tanto cômicas. Ansel Elgort e Miles Teller são ambíguos, mais interessantes do que no filme anterior, mas a justificativa para suas mudanças de atitude é simples e rápida demais, comprometendo a coerência de seus personagens. Theo James, mais uma vez,forma um elo fraco em meio ao bom elenco. Pelo menos seu personagem torna-se mero ajudante da protagonista feminina, revertendo a lógica machista predominante nos filmes de ação.
Por isso mesmo, toda a atenção dos produtores parece ter sido voltada ao espetáculo dos efeitos especiais. Há uma quantidade ostensiva de CGI, e 3D com cenas de ação criadas digitalmente e projetadas sobre telas verdes. Os cenários das simulações são grandiosos, mas ao mesmo tempo pouco criativos - afinal, prédios suspensos, edifícios em ruínas e cabos ligados ao corpo dos personagens não são exatamente uma novidade no gênero.
Pelo menos, Insurgente mantém a opção de colocar as mulheres em posições de comando. Tris não é recatada e passiva, como certas heroínas apaixonadas de outras adaptações de livros adolescentes. Ela toma a iniciativa, atirando, pulando, saltando, tendo desejo sexual e um furor guerreiro que vai além do simples ímpeto de fazer justiça. O roteiro inclui, rapidamente, uma discussão sobre o modo como minorias sociais são tratadas em sociedades pouco democráticas, sendo levadas a se sentir culpadas dos males sociais. Não se pode esquecer que o 'divergente' é uma metáfora do cidadão diferente e minoritário (gordo, gay, negro, deficiente, esquisito, como quiser), transformado aqui em super-herói essencial para a manutenção do equilíbrio social.
[Atenção: possíveis spoilers abaixo!]
A conclusão, reforça em nível quase infantil a metáfora da inclusão de minorias. O desfecho deixa uma impressão meio amarga: apesar de concluir de maneira satisfatória a estrutura do filme - algo que nem todo segundo filme de franquia consegue realizar -, o faz de maneira abrupta e óbvia: um novo personagem simplesmente aparece com uma mensagem edificante, ordenando que o conflito se resolva e a paz se instaure. É uma visão otimista em relação às diferenças, mas ao mesmo tempo fraca como ferramenta narrativa. Insurgente se conclui como um blockbuster, que não se limita a mostrar as minorias ascendendo a posições de poder, mas insiste em verbalizá-lo com mensagens explícitas de cunho moral. Para o bem ou para o mal, o discurso consegue atingir seu interlocutor.
Vale o ingresso, caro comedor de pipoca!
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